CARNE DE MULHER

Paula Cohen estreia o monólogo Carne de Mulher volta em cartaz para sua 3ª temporada no Cemitério de Automóveis. De 20 de novembro a 11 de dezembro

 Texto de Dario Fo e Franca Rame (Monólogo da Puta no Manicômio) foi traduzido e adaptado pela própria atriz. A direção é de Georgette Fadel

 Fotos de Lenise Pinheiro

 

Em Carne de Mulher, a peça dos italianos Dario Fo (Prêmio Nobel) e Franca Rame aparece como parte de um manifesto artístico feminista de uma performer, interpretada por Paula Cohen. A peça estreou no Teatro de Arena em julho deste ano, seguindo para uma temporada no Teatro Pequeno Ato e agora volta em cartaz para sua terceira temporada no Cemitério de Automóveis.

“Desde as Pitonisas Gregas, que eram sacerdotisas da maior importância, até escritoras, cineastas, alquimistas e outras que tiveram destaque, mas não são mais lembradas por conta do machismo de nossa sociedade”, conta Paula.

A peça escrita por Dario Fo e Franca Rame em 1977 traz a história de uma prostituta que está presa no manicômio judiciário por ter ateado fogo no escritório de um industrial. A personagem conta sua trajetória de vida, revelando uma sequencia de abusos, onde o transbordar torna-se inevitável, fazendo com que encontre forças para reagir diante de seus opressores.

Paula conheceu o texto ‘Monólogo da Puta no Manicômio’ há 20 anos quando saiu da EAD (Escola de Artes Dramáticas da USP) e sempre pensou em montá-lo. “Essa poderosa e emocionante obra voltou para mim quando Dario morreu em 2016. Reli e percebi o quanto é atual e senti a urgência de fazer o espetáculo neste momento. É necessário acabar de uma vez por todas com as práticas de violência, repressão e assassinatos que em muitos casos acontecem dentro dos próprios lares.Com isso é preciso que caminhemos para um despertar de uma consciência cada vez maior através de campanhas, políticas públicas, debates sobre gênero nas escolas e todo tipo de discussão nesse sentido.Muitas vezes estes crimes são tidos como passionais, quando é necessário ir direto à verdadeira nomenclatura do ato, e categorizá-los como feminicídios, violência de gênero, evitando correr o risco de romantizar o ato”, conta Paula Cohen.

Quando comprou os direitos para fazer o espetáculo, Paula Cohen convidou Georgette Fadel para dirigir. “É uma poderosíssima artista, inteligente, comprometida com o que faz e com um pensamento crítico maravilhoso. Tínhamos um desejo mútuo de trabalhar juntas um dia e ela foi a primeira pessoa que me veio à cabeça”, conclui a atriz, que também convidou Marisa Bentivegna para assinar a iluminação, Lenise Pinheiro para fazer as fotos e também as produtoras Victoria Martinez e Jessica Rodrigues para completar a ficha técnica de criação composta apenas por mulheres.

SINOPSE
Uma mulher está sendo interrogada por uma médica e sua equipe. A partir do seu depoimento, nos deparamos com a trajetória de alguém que foi alvo de uma sequência de violências de gênero ao longo da vida e que de repente decide colocar em prática, como com a força de um grito, o seu ato de libertação.

Carne de Mulher é o meu manifesto, o meu ato político. Os artistas têm essa responsabilidade de cutucar a sociedade na sua cegueira, na sua burrice, na sua intolerância. Não temos mais como permitir o machismo. A peça éum grito de libertação, um clamor pelos direitos humanos e, portanto, altamente feminista”, diz Paula.

Sobre os autores
Franca Rame nasceu em Parabiago, Itália, em 1929, vinda de uma tradicional linhagem de Comedia dell Arte.Tornou se uma das melhores atrizes italianas, dramaturga, ativista política e feminista.Em 1973 ela foi vítima de um brutal estupro coletivo, atribuído a militantes fascistas, feminicídio com pano de fundo político, por conta do seu ativismo e do seu marido.Ficou 2 anos, em choque, sem conseguir falar no assunto, e em 75 expôs sua dor nos palcos através do teatro.Estreou o monólogo “O Estupro”, que faz parte do livro “Oito monólogos”, onde narra passo a passo a terrível agressão vivida. Franca Rame fez da sua arte, ao lado de seu marido, o seu maior gesto político. Dario Fo nasceu em San Giano, Itália, 1926, em uma família socialista, membros ativos da resistência. Em 1997 foi ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, com o livro “Manual Mínimo do ator”. Dramaturgo, ator, pintor, ilustrador e ativista político, Dario escreveu em torno de 100 peças de teatro, incluindo muitas sátiras ao poder. Um dos grandes protagonistas do teatro, da cultura e da resistência política Italiana.

Ficha técnica
Concepção: Paula Cohen
Direção: Georgette Fadel
Iluminação: Marisa Bentivegna
Trilha: Claudia Assef
Produção: Contorno Produções
Direção de Produção e Produção Executiva: Victória Martinez e Jessica Rodrigues
Arte Gráfica: Patrícia Cividanes
Fotos: Lenise Pinheiro

Seviço
20 de novembro a 11 de dezembro
Segundas-feiras às 21 horas
Cemitério de Automóveis
Rua Frei Caneca, 384 – Consolação, São Paulo – SP
Ingresso: R$ 40,00 (R$ 20,00 meia-entrada)
Duração: 60 minutos