Rei Menino

Rei Menino celebra a Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha com apresentações gratuitas no bairro e em outros espaços públicos de São Paulo

 Com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson Catarina, espetáculo ressalta a importância dessa manifestação popular para a população negra

Crédito: Duda Viana

Repleta de símbolos, música e espiritualidade, a Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Penha é uma das mais significativas celebrações afro-brasileiras em São Paulo – embora ainda seja desconhecida por muita gente. E a peça Rei Menino, com texto de Rafael Cristiano e direção de Cleydson Catarina, nasce justamente para destacar a importância dessa manifestação popular.  No elenco, além do próprio autor, estão Lucas Laureno, Gabriel Coupe e Rafael Fazzion.

O espetáculo faz novas apresentações gratuitas em setembro: no dia 04 no CEU São Miguel, às 10h e às 14h; no dia 18 na CEU Pq. Anhanguera, às 10h e às 14h; e no dia 25 no CEU Alvarenga, às 10h e às 14h.

A proposta do trabalho nasce do encontro entre arte, memória e educação, tendo como foco as infâncias negras e periféricas da cidade de São Paulo. O projeto parte de uma realidade marcada pela escassez de referências positivas à cultura afro-brasileira nos currículos escolares e nos espaços públicos acessados por crianças negras. 

A trama narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.

A coroação, que une espiritualidade e ancestralidade, ganha novos significados quando é levada ao palco e compartilhada, garantindo que essa tradição seja conhecida, reconhecida, homenageada e admirada de variadas maneiras. É um gesto de respeito à ancestralidade, à memória, à identidade e um convite para que as novas gerações se interessem por essa festa, celebrando a cultura afro-brasileira com orgulho e encantamento.

“Levar essa festa ao teatro infantil é uma forma de fazer com que as crianças experimentem, de maneira encantadora, um patrimônio vivo onde a realeza negra se manifesta, não em castelos distantes, mas em seus próprios territórios, em suas comunidades, em sua história. Ao encenar essa festa no teatro, a peça reforça a importância de contar histórias que ampliam a visão de mundo das crianças, promovendo um olhar sensível sobre o papel da cultura afro-brasileira na construção do país”, explica a diretora de produção Ingrid Alecrim.

Sobre a Coroação

A Festa de Coroação de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos é uma celebração vibrante, na qual a fé e a cultura afro-brasileira se entrelaçam. Em São Paulo, acontece na Igreja do Rosário dos Homens Pretos da Penha – um espaço de segurança e de reinvidicação de direitos básicos do povo negro. 

Construída em 16 de junho de 1802, em pleno regime escravocrata, a igreja atuava com irmandades negras que tinham como funções oferecer um enterro e velório dignos a seus irmãos, promover oportunidades de convívio e interação em festas, proporcionar a compra comunitária de alforrias, entre outras ações. 

Mais do que um rito religioso, a festa é, portanto, um símbolo de pertencimento, resistência, dignidade e memória coletiva. Desde 2002, a coroação pôde deixar de ser propositadamente esquecida e festejada como um território importante para a história da cidadania de pessoas negras da cidade e um ponto de confluência dos saberes africanos difundidos no que chamamos de “cultura popular brasileira”.

Durante a festa anual, reis, rainhas, príncipes e princesas negros são reverenciados em um cerimonial que mistura o sagrado e o festivo. A cerimônia recebe pastorais, irmandades tradicionais da igreja, e mais de 20 grupos ligados à tradição, entre congadas, moçambiques, marujadas, maracatus, sambas de bumbo e jongo. A cerimônia reafirma nossa vasta realeza afrodescendente, em um país onde há uma contínua tentativa de apagar e marginalizar a própria história negra.

Ela se inicia com o evento de levantamento do mastro no Largo do Rosário, no bairro da Penha, e é composta por uma programação artístico-cultural que tem duração média de um mês. Um dos momentos mais especiais é o da coroação do rei e da rainha de festa, que são escolhidos anualmente, após a celebração de uma missa afro-inculturada (ou seja, uma celebração católica, feita por um padre e normalmente acompanhada por um bispo, que integra em sua estrutura a musicalidade e alguns signos das religiosidades africanas no Brasil). 

No momento da coroação, as congadas entram para saudar a realeza e uma delas carrega a coroa. Segundo as pessoas que continuam seu legado, a Comunidade do Rosário da Penha, a festa realiza um movimento que sempre circunda os que vieram antes, os que lá estão e os que ainda virão, fruto de uma espiral simbólica que representa a abrangência das ancestralidades que traçaram os múltiplos caminhos de ser negro. 

Ficha técnica
Dramaturgo e designer: Rafael Cristiano 
Diretor: Cleydson Catarina
 Assistente de diretor: João Filho 
Diretor musical: Fernando Alabê
Compositor musical geral: Uberê Guelé
Compositor das músicas “Valsa do Rei” e “Funk Chamego do Meu Pai”: Gabriel Coupe
Elenco: Gabriel Coupe, Lucas Laureno, Rafael Cristiano e Rafael Fazzion 
Preparador corporal e cenógrafo: Guinho Nascimento 
Bonequeiro e Aderecista: Rager Luan
Assistente de Cenógrafo: Alafim
Figurinista: Patricia Freire
Técnica de som: Helena Menezes
Iluminadora: Tati Santos
Consultora de acessibilidade e audionarradora: Cintia Alves
Intérprete de Libras: Ricieri Palha
Diretora de produção: Ingrid Alecrim
Produtor executivo: Miguel Estevão
Divulgação: Catucá Comunicação
Fotógrafa: Duda Viana
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio Assessoria de Comunicação 
Consultora de dramaturgia: Kiusam de Oliveira

Sinopse
A peça narra a história de Pepê, um menino morador da Zona Leste de São Paulo, que pede a seu pai, Jonas, para levá-lo à coroação do rei e da rainha do Rosário dos Homens Pretos da Penha. Juntos, eles embarcam em uma jornada de descoberta sobre a realeza negra no Brasil, em meio à tradicional congada que celebra e honra esses ícones culturais.

Serviço
Rei Menino, de Rafael Cristiano
Classificação: Livre
Duração: 50 minutos
Ingressos: Grátis (sem necessidade de retirada)
26 e 27/6 às 15h: Largo do Rosário – Penha de França, São Paulo 
3/7 às 14h e 16h: Biblioteca Mário de Andrade: Rua da Consolação, 94 – República, São Paulo 
17/7 às 14h e 16h: Centro Cultural Tendal da Lapa: Rua Guaicurus, 1100 – Lapa, São Paulo 
18/7 às 14h e 16h: Centro de Referência da Dança: Galeria Formosa Baixos do Viaduto do Chá, s/n – Praça Ramos de Azevedo – Centro Histórico de São Paulo, São Paulo
07/08, às 14h e às 16h: CEU Heliópolis – Estrada das Lágrimas, 2.385 – São João Clímaco, São Paulo
14/08, às 10h30 e às 14h30: Fábrica de Cultura Jardim São Luís – Rua Antônio Ramos Rosa, 651 – Jardim São Luís, São Paulo
28/08, às 14h30 e às 16h30: CEU Paraisópolis – Rua Dr. José Augusto de Souza e Silva, s/n – Paraisópolis, São Paulo
04/09 às 10h e às 14h – Libras nas 02 sessões: CEU São Miguel- R. José Ferreira Crespo, 475 – Jardim São Vicente, São Paulo 
11/09 às 10h e às 14h: EMEI Nenê do Amanhã – R. Alvinópolis, 1360 – Vila Beatriz, São Paulo
18/09 às 10h e às 14h: CEU Pq. Anhanguera – R. Pedro José de Lima, 1020 – Anhanguera, São Paulo Libras e audiodescrição às 10h
25/09 às 10h e às 14h: CEU Alvarenga – Estrada do Alvarenga, 3752 – Balneário São Francisco, São Paulo
Libras e audiodescrição às 10h