COLÔNIA PENAL

Colônia Penal (3)

Colônia Penal, direção de Sandro Borelli, faz temporada em abril em São Paulo

Espetáculo da Cia Carne Agonizante se apresenta de 3 a 26 de abril no Kasulo Espaço de Arte e Cultura e se prepara para temporada de três espetáculos do repertório e uma estreia, prevista para o segundo semestre.
Grátis.

Inspirado na obra homônima de Franz Kafka (1883 -1924) e na ditadura militar brasileira (1964-1985), o espetáculo de dança Colônia Penal se apresenta no Kasulo Espaço de Arte e Cultura no mês de abril. Com concepção, direção e coreografia de Sandro Borelli, Colônia Penal tem no elenco os intérpretes Alex Merino, Amanda Santos, Rafael Carrion, Mainah Santana, Everton Ferreira e Magô Borges. Espetáculo é dedicado aos mortos e torturados pela ditadura militar brasileira.

Colônia Penal, de 2013, é o primeiro espetáculo do repertório a ser mostrado em 2015. Depois, a Cia Carne Agonizante (fundada em 1997) se prepara para apresentar nos próximos meses os espetáculos O canto preso (1999/2008), Estado independente (2009), O processo (2003), além da estreia Não te abandono mais, morro contigo – prevista para o segundo semestre de 2015.

Colônia Penal
Vídeo – https://www.youtube.com/watch?v=62Nd2heSLIA&feature=youtu.be

A abordagem da condição humana e social implícita nas obras de Kafka é de uma atualidade desconcertante; e se aproxima do que julgamos urgente e fundamental discutir na sociedade contemporânea. Kafka nos dá uma visão ampla e original do indivíduo em relação ao meio em que está inserido. A opressão, o aprisionamento e a desesperança deste homem que traz em si as marcas de sofrimento de um mundo alienado são temas recorrentes em sua obra.

O escritor Checo faz uma análise crítica sobre o instituto da pena, analisando os seus limites, a sinistra imposição de penas baseadas em castigos corporais pelo Estado e ilustra com clareza e precisão as barbáries que constituíam as técnicas medievais na aplicação desses castigos punitivos. É uma crítica aberta aos regimes despóticos nos quais o processo judicial e o direito de liberdade são subjulgados.

O espetáculo propõe que o insólito e o absurdo possam ser percebidos em várias situações: Numa detalhada descrição de métodos de tortura dos regimes antidemocráticos abrigando e encobertando assassinos; na cruel e irônica omissão de um observador estrangeiro; na estranha relação entre o poder oficial e o condenado.

O coreógrafo Sandro Borelli e grupo ampliam a pesquisa em direção as torturas cometidas pela ditadura militar no Brasil nas décadas de 60,70 e 80 resultando com a morte e desaparecimento de centenas de brasileiros contrários ao regime da época. Constrói uma estrutura de gestos, ações e movimentos resultando uma dramaturgia corporal teatralizada, para gerar um jogo de tensão no espectador.

Colônia Penal caracteriza-se como um atentado contra a dignidade humana. É o anti-herói kafkiano lançado, torturado e executado nos porões da ditadura militar brasileira.

Diálogo possível e necessário entre dança e política.
“Colônia Penal” da Cia. Borelli expõe a relação entre violência e corpo ao evocar memórias da ditadura. Helena Katz – Jornal O Estado de SP – 13 de julho de 2013.

Kafka e ditadura militar inspiram espetáculo de dança em cartaz em SP.
Politizada, coreografia é a sexta criação de Sandro Borelli feita a partir de textos do escritor Tcheco. Katia Calsavara – Jornal A Folha de São Paulo- 12 de julho de 2013.

Kafka e a eterna luta pela dignidade
A Cia. Borelli revê em “Colônia Penal” toda a violência da ditadura brasileira. Helena Katz – Jornal O Estado de SP – 5 de julho de 2013
Sobre a Cia Carne Agonizante e repertório
Companhia de dança independente que desenvolve pesquisas e criações desde 1997 tendo em seu repertório 22 peças coreográficas: “Colônia Penal” (2013), “Eu em Ti” (2011), “Produto Perecível Laico” (2011), “Estado independente” (2009), “Artista da Fome” (2008), “Carne Santa” (2007), “Kafka in off” (2007), “Carta ao pai” (2006), “Adeus deus” (2005), “Ponto final da última cena” (2004), as duas últimas, montadas originalmente para o Balé da Cidade de São Paulo, e incorporadas ao repertório da companhia em 2010, “Gárgulas” (2004), “O processo” (2003), “Kazulo” (2002), “A metamorfose” (2002), “Versos íntimos” (2002, composta para a Distrito Companhia de Dança e incorporada ao repertório em 2010), “O abutre” (2003), “Jardim de tântalo” (2002/2008), “33 – O eu e o outro” (2001), “Senhor dos anjos” (2001/2009), “O canto preso” (1999/2008), “Solidão proclamada” (1998), e “Ifá – se querem gritar para o mundo”(1997).

O percurso do grupo é pautado por uma dança teatralizada, seus trabalhos criativos e tem a intenção de gerar uma potência capaz de provocar reflexão na plateia e não deixá-la apenas na superfície do entretenimento banal. Os espetáculos do seu repertório discutem justamente a resistência à massificação, que se contrapõe à transformação da vida em mercado e do homem em mercadoria. Trafega na contramão do mercado Shopping Center cultural muito preocupado com cifras e público e pouco inquieto com as relações sócio-políticas.

O ato de atuar/dançar, para a Cia Carne Agonizante, deve ser entendido como uma poderosa manifestação política cultural e social, movimento para desafiar padrões éticos e questionar o cotidiano da arte contemporânea. Para os artistas do grupo, de nada adianta fazer uma revolução dos padrões coreográficos sem que com eles não sejam produzidos metamorfoses capazes de transformar a sociedade ou de questionar o status quo.

Diversos espetáculos da companhia viajaram pelo Brasil, o que indica repercussão e relevância do trabalho: Mostra Sesi de Dança (Goiânia – 2014); Festival Viva a Dança em Salvador (2013), Festival de Dança e Teatro Mova-se em Manaus (2010), Festival Internacional de Dança Contemporânea “Mesa Verde” em Porto Alegre (2009), Festival Internacional de Teatro em Belém do Pará (2008), Festival de Dança Contemporânea de Itajaí/SC (2005), Festival Internacional de Londrina (2004),Porto Alegre Em Cena em Porto Alegre (2001), Festival de Teatro de Curitiba (1999), “Brasil com S”, em Nova York (1998), Festival de Dança, Teatro e Música de Buenos Aires, Argentina (1999) e no Festival “Danza Nueva”, no Peru (2002).

Ficha Técnica
Intérpretes: Alex Merino, Amanda Santos, Rafael Carrion, Mainah Santana, Everton Ferreira e Magô Borges
Concepção, direção e coreografia: Sandro Borelli
Trilha sonora e arte gráfica: Gustavo Domingues
Fotografia: FK
Luz: Sandro Borelli
Figurino: Elenco
Preparação Corporal: Jose Ricardo Tomaselli, Vanessa Macedo e Yaskara Manzini.
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio
Direção de produção: Junior Cecon

Serviço
Colônia Penal – dança contemporânea
Onde: Kasulo Espaço de Arte e Cultura (Rua Sousa Lima, 300 – Barra Funda)
(O local possui um pequeno café para recepcionar o público).
Temporada: De 3 a 26 de abril de 2015
Sexta e sábado, 21h. Domingo, 20h
Gratuito. 60 minutos. 16 anos.
35 lugares com retirada de ingressos 1 hora antes do início do espetáculo.