VOCÊS QUE ME HABITAM

Vocês que me habitam estreia na Oficina Cultural Oswald de Andrade dia 13 de novembro.


Texto inédito de Gustavo Colombini e Erica Montanheiro aborda temas como a memória, relações familiares e violências contra a mulher para falar de afeto, escuta e empatia. Com direção de Erica Montanheiro, a peça traz no elenco as atrizes Ana Elisa Mattos e Joyce Roma.

 Link de fotos de Rafael Ianni

 

Sinopse
Em um consultório, o encontro de uma mulher e uma médica se torna o disparador da revelação de situações limite. Suas memórias emergem, trazendo à tona relações familiares e desejos de liberdade frente às regras de uma sociedade patriarcal.

Sobre a direção de Vocês que me habitam, por Erica Montanheiro
“Nosso tempo é áspero, duro, “asfáltico”. Querem nos obrigar a fechar fronteiras, levantar muros e não querer atravessar para ver o outro. Querem nos conduzir a negar a empatia. Um tempo de securas. De construção de muros que bloqueiam qualquer tipo de afetividade.

Pensando na construção cênica (e desconstrução desses fatos sombrios), optei por uma linguagem que pudesse gerar uma aproximação imediata com o público.

Assim, na encenação, utilizo elementos do Melodrama (gênero que conheci quando estava ainda na escola de Philippe Gaulier, em 2003. Inaugurei minha pesquisa sobre o melodrama junto à Cia. Os Fofos Encenam, dentro da linguagem do Circo-Teatro orientada por Fernando Neves. Posteriormente, em Paris, aprofundei meus estudos em uma residência artística).

O corpo como disparador de situações, a imagem corporal como suporte para os estados que as atrizes devem acessar, a sustentação da emoção e a suspensão dos tempos melodramáticos. Estes elementos servem como estrutura para a composição das cenas e alicerce para as atrizes. A ambiência sonora e as partituras corporais fazem parte desta linguagem, ora impulsionando os estados, ora propondo uma oposição.

Esta linguagem do Melodrama foi escolhida por criar uma dramaturgia cênica capaz de prender o interesse do espectador sobre a narrativa, enquanto o texto passeia por campos poéticos e por uma ordem não-cronológica dos acontecimentos, fragmentos de memória e um plano de reconstituição dos fatos da vida de uma mulher.

Somos muitas, temos infinitas camadas e queremos fazê-las emergir para o público através de uma dramaturgia que faça ecoar nossas vozes. Os acontecimentos retratados na peça falam de momentos vividos por muitas mulheres dentro de uma sociedade estruturada sob o olhar do patriarcado. Outros, evocam as crianças que um dia fomos, sempre dispostas a brincar e acreditar que é possível ser o que se queira ser.

Vocês que me habitam pretende convocar um outro tempo. Um tempo capaz de dar a possibilidade de nos vermos, ouvirmos e lermos essas pequenas histórias de mulheres que instauram um tempo da delicadeza – um lugar que agora talvez não exista, mas que insistimos – enquanto ato político – em fazer emergir. É uma forma de resistir, de dizer ao país que nosso corpo é nosso, que nosso útero é só nosso, que somos um ajuntamento de mulheres fortes – e ao mesmo tempo, sensíveis - que juntas podem mais, que juntas não se julgam, que se perdoam, prontas para a revolução dos afetos. Será que ainda é possível chorar de um jeito bonito?”

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Ficha Técnica
Dramaturgia - Gustavo Colombini e Erica Montanheiro
Direção - Erica Montanheiro
Assistente de direção - Larissa Matheus
Elenco - Ana Elisa Mattos e Joyce Roma
Direção de Arte - Joyce Roma
Figurino - Fátima Lima
Cenário - Joyce Roma
Pintura de Arte - Luiza Curvo
Criação Musical - Luísa Gouveia
Luz - Aline Santini
Colaboração Artística - Eric Lenate
Preparação Corporal - Bruna Longo
Estagiária de Direção - Bárbara Dib
Workshop de Improviso - Adriana Ospina
Workshop de Melodrama - Erica Montanheiro
Workshop de Composição de Personagem - Cris Rocha
Operação de Luz - Pat Morim Lobato
Operação de Som - Erica Montanheiro
Música Final Voz - Cida Moreira
Assessoria de Imprensa - Pombo Correio
Foto - Rafael Ianni
Designer - Alexandre Trucolo
Videografismo - Pri Argoud
Exposição e Desenho Programa - Mag Magrela
Maquiagem - Louise Helène
Produção - Ana Elisa Mattos
Assistente de Produção - Beatriz Alves
Idealização - Ana Elisa Mattos
Realização - Os Compadres
Foto: Rafael Ianni

Serviço:
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo
Telefone: (11) 3221-4704
Temporada: de 13/11 a 20/12- Segundas, terças e quartas, às 20h.
Sessões extras: dias 27, 28 e 29 de novembro e dias 04, 05 e 06  de dezembro, sexta, sábado e domingo às 21h
Gratuito - Retirada de ingressos 1h antes do espetáculo.
Duração: 80 minutos
Censura: 16 anos
Gênero: Drama